Papo Reto #1: Temas “Pesados” em uma mesa de RPG

Gostaria de inaugurar essa coluna na Toca trazendo uma discussão saudável para todos nós. O que nós, mestres e narradores, deixamos de narrar por considerar muito pesado em nossas mesas?

A alguns meses, narrei uma mesa de Shadowrun para alguns amigos. A mesa tinha 5 jogadores e o cenário era a cidade de Fortaleza – CE num ambiente mais cyberpunk. A aventura era embasada em uma caçada a um político corrupto (de onde eu tirei a ideia cof cof *90% da política brasileira* cof cof), os jogadores entraram em um confronto com uma máfia russa e tudo mais e, no decorrer da aventura, a procura de mais incentivo para não trabalhar para o político, um dos jogadores encontrou uma mulher, uma shaman. Essa mulher, a partir do toque, transmitiu o que parecia ser suas lembranças, entre elas, o estupro dela. O político havia abusado da moça quando ela era mais jovem e eu, como mestre, tive que narrar a cena.

Sabendo que isso era um tópico um tanto quanto difícil de se retratar, fiz uso de imagens distorcidas, desenhei com as palavras uma cena turva do homem agredindo e despindo violentamente a moça, deixando para o jogador interpretar a cena e tirar suas conclusões. Acredito eu que ele não tenha pensado duas vezes, viu do que se tratava e tomou isso como um impulso para acabar com o antagonista daquela aventura.

Em todos os anos que narrei, que não são muitos, acredito que esta tenha sido a cena mais impactante que apresentei aos meus jogadores.

A algumas semanas, enquanto navegava em um grupo de RPG de mesa no facebook, me deparei com o relato de um rapaz que havia adaptado o sistema de Call of Ctchulu para torná-lo mais paranoico e imersivo, deixando a gente na expectativa de possivelmente ver essa adaptação. Na semana seguinte ele voltou com os resultados, ao que tudo parece, o objetivo da adaptação foi alcançado. Segundo o rapaz, que eu não recordo o nome e peço desculpas por isso, a aventura narrada e o ambiente imersivo que ele criou, causaram um efeito de mal estar e desconforto constante aos jogadores, alguns pelo que ele disse chegaram a sofrer com pesadelos referentes a jogatina.

Ainda é um segredo para mim o conteúdo da aventura, como ele adaptou o sistema e quais outros efeitos ele teve sobre os jogadores, mas eu arrisco dizer que ele usou e abusou de imagens grotescas e mentalmente perturbadoras para sustentar o clima paranoico e sobrenatural de Call of Ctchulu.

Enquanto a vocês, caros leitores? Você que é mestre de uma mesa, já chegou a usar de alguma cena considerada ‘pesada’ por seus jogadores? E você jogador, já presenciou em suas partidas um momento que lhe tenha feito sentir algo incomum?

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4 comentários

  1. A única vez que alcancei esse feito foi mestrando Mundo das Trevas em Raccon City. O que me ajudaram foi música ambiente de suspense do site https://tabletopaudio.com/ e o fato de estar jogando a noite.
    O que impactou um jogador foi o fato dele pensar que por não ter feito uma ação, ele causou a morte de uma criança e o melhor de tudo foi que eu nem tinha pensado nisso, ele mesmo tirou essas conclusões :P.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Quando vi o post do cara no grupo, da forma que ele colocou e foi explicando, foi essa a imagem que ele nos deu a entender. Depois que ele começou a explicar melhor todos so comprovaram isso, tanto que ele só fez uma única sessão, porque uma das moças que jogavam ficou bem mal com a aventura e pararam. Então sim, acho que o cara conseguiu definir a linha de imersão que não devemos cruzar

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