Ninguém pode servir a dois senhores

Saudações, aventureiros desbravadores de tocas, antes tarde do que mais tarde. Vamos iniciar falando sobre o tempo e uma característica curiosa dele: primeiro, se você está esperando ansiosamente por uma encomenda dos Correios quinze dias serão uma eternidade; e segundo, se você tem que produzir algum material em quinze dias, eles acabarão antes mesmo que você possa começar. Eu sempre fui adepto da técnica de produzir na última hora, mas essa maldita hora foi feita para imprevistos, não confiem na última hora, ela é má e vai te trair quando você mais precisar dela, primeiro ela vai te seduzir, vai funcionar perfeitamente, vai deixar você terminar tudo com tranquilidade, mas depois, quando ela realmente for importante, ela te fará fracassar. Eu aprendi com meus erros, a partir de hoje eu não mais farei coisas na última hora, terei responsabilidade e empenho, penúltima hora, você agora é minha nova musa. Sem mais delongas, vamos ao raciocínio da quinzena.

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Samuel, O Feiticeiro

“Ninguém pode servir a dois senhores”. Não sou um profundo conhecedor do Evangelho, mas conheço bem esse excerto e concordo plenamente com Mateus, as pessoas não conseguem voltar-se, verdadeiramente, a duas coisas ao mesmo tempo, fazer algo com amor e dedicação é uma experiência que vem do âmago, enquanto fazer algo de maneira medíocre só pode trazer ódio e desprezo. A analogia pode ser exagerada, mas deixando o exagero de lado o que me sobra é uma constatação e eu não precisei de nenhum copeiro gigante para me dizer: Eu sou um feiticeiro.
Não, eu não possuo poderes mágicos, não uso chapéu pontudo, detesto cigarros e charutos, uso vassouras apenas atrás de portas, acho que os vestidos são uma indumentária mais apropriada para as mulheres, porém afirmo piamente que sou um feiticeiro. Digo isso porque cada jogador de RPG possui uma classe, alguns teimam em não admitir, dizem ser bem ecléticos, mas no fundo todos têm o seu senhor. Já fui ranger, clérigo, druida, guerreiro, monge ad infinitum, mas dentro de cada um deles havia um feiticeiro, no fundo de todas as minhas campanhas, sendo PC ou NPC, eu fui e sempre serei um feiticeiro.
Eu fui um feiticeiro antes mesmo de ter jogado com um. Em minha primeira aventura de RPG eu fui uma espécie gárgula, bem parecido com o Firebrand, era uma tipo de sistema improvisado, havia poucas rolagens de dados, o mestre era bem experiente e fez com que eu me importasse mais com a aventura do que com minha ficha, até hoje lembro-me das partes mais importantes da historia, por mais que faça mais tempo do que eu gostaria de admitir que tenho de vida. O pequeno Garosh, que podia lançar três bolas de fogo por dia, vai ficar para sempre guardado na minha lembrança como o meu primeiro PC, mas já controlando-o eu sabia que ele não me representava fielmente como eu me imaginava no fantástico mundo do RPG.
Meu primeiro feiticeiro veio alguns anos depois. O melhor mestre que eu já tive o prazer de conhecer e que, infelizmente para nos mortais, já pegou o último navio nos Portos Cinzentos e hoje se encontra nas Terras Imortais junto dos Valar, narrou minha primeira campanha de 3D&T, nela eu finalmente conheci o meu senhor, a minha classe, o feiticeiro. O meu personagem nessa aventura era um feiticeiro, mas também sabia lutar e usar armas, creio que o que mais se aproxima dele seja o red mage da franquia Final Fantasy. Essa personagem ditou o meu modo de ver as aventuras e encará-las, nessa mesma aventura um velho amigo meu jogou com um bárbaro e esse virou o seu senhor, da mesma maneira que eu, ele já interpretou inúmeros personagens, mas a barbárie ficou impregnada em seu cerne, ele sempre será um bárbaro, não importa quem ele venha a representar.
Eu acredito que todo jogador deve conhecer o seu senhor, isso facilitará muito quando ele estiver jogando com outros personagens, afinal, é bom variar, mas nunca, em hipótese nenhuma, abandone o seu senhor, é ele que lhe trará verdadeiramente diversão em suas aventuras. É muito comum encontrarmos bárbaros resolvendo problemas lógicos, feiticeiros indo para o centro da batalha, paladinos fechando os olhos perante o crime, ladinos distribuindo igual e honestamente uma pilhagem e druidas jogando lixo nas floresta, esses são vários exemplos de jogadores sendo influenciados por seus senhores quando estão servindo a outro. Essa é a sina do jogador, não adianta negar ou tentar evitar, é algo tão comum quanto enfrentar um grupo de goblins, ou pior, um dragão.

Texto escrito integralmente por Samuel Feitoza da Taverna do Dragão!

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