O mundo e sociedade dos Homebrews no RPG

Homebrew, o que são? Para que servem? E o que diabos isso influencia em uma mesa de RPG? Vamos trabalhar estas perguntas aqui no Papo Reto de hoje.

Homebrew é um termo americano usado para dizer quando algo é “feito em casa”. Por exemplo, em um belo dia de verão, você resolveu consertar aquela cadeira velha de madeira, para isso, ia precisar serrar uma tabua comprada na loja de construção do seu Jeremias. Jeremias, vendedor esperto, tenta te empurrar também a serra que você não tem. No final, a conta era uma fortuna e você ficou só com a tabua. Chegando em casa, usando do conhecimento perdido que é facilmente encontrado na internet, você procura maneiras de como serrar a tabua sem uma serra. Algumas das ideias encontradas certamente iriam acabar com você no hospital sem um braço ou perna, mas uma lhe parece funcionar. É ai que, usando de furadeiras e outras coisas, você improvisa uma serra de madeira, feita em sua casa com as coisas que você tinha a sua mão.

Acredito que a ideia do Homebrew tenha ficado um pouco mais clara. Para simplificar mais ainda: Homebrew, fazer coisas que já existem, mas com materiais caseiros ou conhecimentos que você tenha para tornar o objeto recriado mais prático ou viável.

Ta Bodão, entendi, mas o que raios eu faria com uma serra de madeira caseira na minha campanha de Old Dragon? Bom, amigos, antes de cair nisso vamos falar do Homebrew inserido no universo do RPG.

A gente sabe que D&D foi o que explodiu o RPG lá no comecinho, por volta da década de 80/90. Ainda nesse período, o pessoal via em filmes e programas de TV umas coisas muito fantásticas. Aliando isso ao jogo de RPG e alguns poucos anos depois, os jogadores e mestres começaram a tentar replicar essas coisas vistas nas TVs, mas não só nelas, nos quadrinhos e no cinema também. Além dessa tentativa de tentar replicar um Conan nas mesas de RPG, alguns mestres tinham suas próprias visões para algumas situações durante as sessões.

O tempo passa de novo e o RPG é difundido de uma maneira maior e, junto do advento da internet, ficou mais fácil trocar ideias sobre o hobby.

Alguns começaram a usar fóruns da web para debaterem sobre coisas como, iniciativas, regras para magias, classes e coisas assim. A coisa foi indo e a galera foi compartilhando suas regras alternativas para suas mesas. Novas versões de D&D e novos títulos foram saindo, Vampiro, Shadowrun, Marvel RPG, 3D&T, Mutant Chronicles, Falkenstein, enfim, muita coisa foi saindo e junto disso novas maneiras de jogar. O lance de regras caseiras sempre existiu, mas foi ficando maior e mais fácil de expandir.

E foi assim meus caros, que o Homebrew foi entrando no RPG. Regras caseiras, criaturas, adaptações de livros, filmes, séries e quadrinhos, releituras, regras adicionais. Enfim, tudo que não era oficial, feito por fãs e para fãs.

Dito isto, vamos voltar ao questionamento anterior. Como uma serra de madeira caseira vai me ajudar na minha mesa de RPG? Resposta curta: Não vai.

Vivemos cercados de diversas opções para jogos. Diferentes sistemas tem diferentes visões de lidar com as mesmas situações. As classes e a multiclasse existente em sistemas como D&D ou Tormenta chamam a atenção de muitos, enquanto a mecânica de combate de Black Hack chama a atenção de outro, mas o cenário marítimo de Thordezilhas ou 7º Mar é o que agrada a seus jogadores. Por que não juntar tudo, o melhor de cada um, e realizar a sua sessão? Talvez alguém já tenha tido essa ideia e colocou na internet já, senão, bem, o caminho ta ai na sua frente, você pode tentar criar ou deixar pra lá.

Esses pequenos (mais ou menos né) livros, sejam digitais ou físicos, ampliam a experiencia dentro de um sistema. D&D 3.5 por exemplo, ou até mesmo GURPS, contam com uma vasta biblioteca de Homebrews, regras e suplementos para os mais diversos gostos, gerando experiencias novas dentro de sistemas que já são conhecidos. Quer continuar no 3.5 mas viu uma mecânica de Falkenstein que você acha que seria interessante na sua campanha? Só procurar a adaptação da regra na internet.

Os Homebrews tem um papel muito grande dentro da consolidação de um jogo. Seja no papel ou no vídeo game. Quer um exemplo? GURPS e 3D&T ficaram anos aqui no Brasil como fortes sistemas nas mesas, a variedade de material encontrada pra eles além da constante produção/adaptação de material novo fez com que ambos, até hoje, sejam sistemas fortes e de fácil acesso e consumo. Skyrim, no mundo digital, está firme e forte desde 2011, não tem um único dia em que algo novo não chegue nas terras gélidas do norte de Tamriel, tamanha é a sua importância, que o quinto título da série da Bethesda é, até hoje, o jogo com maior número de modificações lançadas e um dos títulos mais relançadas no mundo dos jogos digitais (é quase um skyrim novo a cada ano, estamos já no TES 5.6 Retorno a Skyrim).

As pessoas procuram coisas novas para seus sistemas favoritos. Cenários e personagens, armas e monstros, tudo. Tamanha é a importância do Homebrew para o RPG, que foram criadas plataformas especiais para sua distribuição, como o DriveThru RPG nos EUA ou dungeonist aqui no Brasil. Estes sites abrem espaços para que todos possam compartilhar suas versões autorais de seus sistemas.

Eu tenho segurança ao dizer que um rpg, seja digital ou de mesa, que não deixa espaços para a customização dos consumidores, traz consigo um caminho um pouco mais turbulento. A cultura do Homebrew, do Faça Você Mesmo, dentro do RPG é forte, tentar ir contra é no mínimo estupidez. Limitar o cenário ou sistema, na minha opinião, é colocar uma coleira no próprio pescoço e se guiar nas ruas sozinho, fazendo as pessoas se afastarem, dada a limitação imaginativa e criativa para as mesas.

Espero que tenha deixado claro neste texto o que são os Homebrews e como eles influenciam diretamente em nossos jogos, sejam digitais ou não.

 

Adaptando obras para rpg de mesa


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