Opressores e oprimidos

Saudações, aventureiros desbravadores de tocas, o verão me chama e mais devaneio vem à tona. Sófocles pode até achar que existe algo de ameaçador em um silêncio muito prolongado, mas o meu nada de perigoso teve, apenas tive devaneios inúteis, não dignos de serem postos por escrito.

Por falar em devaneios inúteis, lembro-me de ter tido um por esses dias, assim como todos os caminhos levam a Roma, todo pensamento de um jogador de RPG o leva para o RPG. Ouvindo muitos relatos, acabei descobrindo que todo jogador já teve uma experiência traumática no RPG, eu mesmo já tive diversas e hoje eu percebo que eu mereci, pois minha conivência com diversas situações fizeram com que elas continuassem a ocorrer. O problema de devaneios é que eles não são muito claros, tentarei elucidar esse nos próximos parágrafos.

 
Os mestres de RPG são figuras essenciais em uma campanha, eles são os árbitros, aplicam as regras, eles são os responsáveis por nos apresentar a aventura, ou seja, são os cavaleiros jedi, eles formam a ordem de guardiões das aventuras de RPG, mas o que fazer quando esses representantes da luz vão para o lado negro da força e se tornam lordes sith? Não raro vemos mestres usando seus poderes em beneficio próprio, seja da maneira mais branda, que é protegendo NPC’s, até as mais torpes, onde o narrador protege namoradas, melhores amigos e até pagantes.

 
Eu não exagero, talvez um pouco, ao dizer que já ouvi um milhão de vezes um lamento de algum jogador em relação a campanhas traumáticas. Sempre que eu conheço algum novo jogador, ele tem uma historia triste, daqueles que se um carroceiro passar, até seu burro vai achar triste. Eu mesmo tenho minhas histórias tristes e sempre que eu as conto, ou quando ouça alguma, consigo ouvir sadness and sorrow como música de fundo. “Eu sempre levava uma surra em todas as campanhas”, “meus itens mágicos sempre eram roubados”, “a namorada do cara matou todo mundo da mesa”, “o cara que eu matei na sessão passada voltou depois de dar dinheiro ao mestre e agora está muito mais poderoso que eu”. O que eu nunca entendi é o porquê dessas pessoas, inclusive eu mesmo, ter passado por esse tipo de situação e ter continuado a ir para essas campanhas, mas agora eu entendo, isso se dá porque as campanhas de RPG são como relacionamentos amorosos.

 
Algumas campanhas de RPG são maravilhosas e você vai lembrar-se delas pro resto da vida, mas essas costumam ser curtas; outras são normais, a convivência vira rotina e você acaba levando elas pro resto da vida; mas têm algumas que são odiosas, que te machucam, que te fazem sair de casa para ter raiva e são um martírio. Assim como nos relacionamentos existem pessoas que sabem quando algo não lhe faz bem e saem o mais rápido possível de perto disso, mas existem outras pessoas, a grande maioria para falar a verdade, que não sabem sair dessa situação, ficam em relacionamentos ruins, no caso campanhas, onde são maltratados e feitos de objeto pelo parceiro, digo, narrador, a analogia está me confundindo. O que quero dizer é que os jogadores também são responsáveis por esses despotismos.

 
O Brasil é um país explorado por uma corja de biltres que se instaurou em nosso governo e não vai sair, isso porque somos indolentes demais para tirá-los do poder, um governo só pode existir se houver algo para ser governado, nós poderíamos nos insurgir e derrubar nosso governo para instaurar outro, mas nós nunca faremos isso, pois somos dominados pelo pior tipo de controle, mais forte que o da violência, somos controlados pelo poder da persuasão, eles nós fazem acreditar que precisamos deles, que eles estão trabalhando para o nosso bem e que todo aquele que luta contra o governo é um vagabundo. Não, isso não virou um devaneio político, eu nem tenho competência para falar sobre isso, falei sobre o nosso governo para compará-lo com o RPG. Alguns narradores se botam na posição de poder e fazem crer aos seus jogadores que estão fazendo um favor a eles, que continuam a jogar mesmo quando são abusados, não vendo que eles estão ajudando a criar déspotas.

 
O RPG deve ser uma experiência de diversão, se o seu mestre quer sempre ganhar e humilhar seus jogadores, se ele favorece uns em detrimento de outros, abandone essa campanha, muito provavelmente ela não irá melhorar, se você continuar indo cairá no mesmo erro da mulher que apanha do marido, mas pensa que com o tempo ele vai deixar de fazêlo por vontade própria. Veja bem, não estou dizendo para abandonar uma campanha porque tudo não está acontecendo do jeito que você quer, pois do mesmo jeito que o mestre pode abusar de seus direitos, alguns jogadores querem que tudo aconteça no tempo deles, querem ganhar itens e níveis toda hora e chantageiam o mestre para recebê-los, isso é tão desprezível como a atitude do mestre sith. O que eu quero dizer, com todo esse rodeio que fiz é: Se afaste das coisas que te fazem mal, sejam elas relacionamentos ou campanhas de RPG, não tem porquê você ir a um lugar onde será reprimido, faça apenas coisas que te façam bem, encontre bons amigos e se divirta com eles, deixe que os opressores não tenham a quem oprimir.

Texto escrito integralmente por Samuel Feitoza da Taverna do Dragão!

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