Profissionalizando o Mestre

Este assunto é antigo e vem sendo revirado de maneira mais constante nos últimos tempos. A Toca também não poderíamos deixar de lado nossa opinião sobre o mesmo. Aqui vamos falar um pouco sobre a profissionalização do narrador de RPG.

Ok, de antemão irei deixar claro que esta matéria não busca ofender quaisquer grupos. Estarei expondo a minha opinião com o intuito de gerar um debate. Aos que se sentem atacados pelo texto, bem, não é minha intenção, mas não se dá pra agradar a gregos e troianos.

O RPG é, acima de tudo, um hobby. Assim como colecionar cartas, preencher álbuns, fotografia, jogar boardgames, o ato de jogar RPG é uma prática que busca trazer entretenimento. A variedade de maneiras de se aproveitá-lo é grande, vasta e busca ser inclusiva ao máximo. A maneira como cada mesa de jogo ocorre, como jogam, como rolam seus dados e quais sistemas usam fazem com que cada experiencia seja única e especial de sua maneira. Até mesmo a maneira que a mesa interagi entre si faz uma enorme diferença.

Como se sabe, em um jogo de RPG existem duas peças fundamentais, o Jogador e o Mestre de Jogo. O jogador é o elemento ativo da partida, ele interpreta diretamente a um personagem e interagi diretamente com o mundo do jogo. Já o narrador é responsável por ministrar e regras e guiar o jogador pela aventura, o recompensando por suas ações ou não. Além do jogador e do mestre, para se jogar você precisa de um Sistema ou de um Cenário. Os sistemas são os conjuntos de regra que ajudam o mestre a legislar na mesa, enquanto o cenário é o ambiente em que as aventuras irão se passar, também ajudando ao mestre o dizendo sobre o que existe ou não no ambiente em que a aventura se passa.

Tendo tudo isso em mente, podemos começar a destrinchar estes elementos (e alguns outros de fora) e ver como o RPG foi se profissionalizando com o tempo.

Logo de cara, a primeira coisa que pode vir em nossa mente é sobre os Mestres Profissionais. Pessoas que se especializaram em narrar as aventuras e dominam as regras de um sistema ou de vários. Como eu diria que alguém se encaixa nesse perfil? Bem, não faço ideia. Ser um narrador profissional é uma prática que ainda está se desenvolvendo. Já existem oficinas e cursos que AJUDAM a direcionar alguém na prática de se contar histórias, até porque, o mestre de jogo é um contador de história também. Pessoalmente, não acho que que essa seja uma prática ruim dentro do RPG, por uma única razão: Você não precisa de um narrador profissional para jogar RPG com seus amigos. Claro, uma coisa é você pedir para seu amigo mestrar a sessão do seu grupo, outra é pedir para um cara formado na Academia Gygax de Dados, seriam experiências diferentes, sem dúvidas, mas em ambos os casos AINDA É RPG. Você ainda estará com seus amigos, você ainda rolará os dados, vocês ainda estarão usando o mesmo sistema, você ainda irá se divertir. Se você deseja pagar um narrador profissional, ótimo, ninguém tem o direito de lhe julgar por isso. Se você deseja cobrar para mestrar em uma mesa, ótimo também, ninguém tem o direito de lhe julgar por isso também.

Quer gostem ou não, o RPG é além de um Hobby, um mercado. Editoras cresceram por conta da nossa amada rolagem de dado, cedo ou tarde outras pessoas iriam encontrar outros jeitos de farmar suas peças de ouro com o hobby. Lançamentos independentes, realização de eventos, materiais exclusivos e afins, realmente só restava profissionalizar o narrador para fechar o time.

Contudo, dentro dessa ‘onda’, tenho um certo medo. Tenho medo das pessoas esquecerem o principal no RPG, contar histórias. Sempre que o dinheiro fala mais alto que a principal característica de um hobby, ele começa a deixar de ser o hobby. Claro, existem pessoas que se divertem em gastar dinheiro (peculiar, mas nada contra também). Não devemos esquecer que o RPG no Brasil é caro, e estamos num momento em que cobrar para narrar pode tornar o RPG mais evasivo do que inclusivo. Livros, dados, miniaturas, torres de dados, grids, playmates, todos esses materiais são caros para nós que jogamos, e ouvir que para se jogar terá que pagar uma pessoa para que ele faça o papel de narrador, para um iniciante, deve ser no mínimo desencorajador.

Desta forma, enquanto a prática de profissionalizar a função do narrador se manter isolada em sua forma, não haverá necessidade de criar alvoroços e jogar pedras em quem desejar seguir o caminho. Seria ótimo ver as salas das oficinas de narradores cheias.

Contanto que a prática não deve privar aqueles que não tem o dito certificado de também realizar a função para seu grupo, muito menos segregar aqueles que pagaram dos que não pagaram. O RPG é inclusivo, e no momento que ele perder essa característica única dele, veremos o hobby perder um pouco do seu brilho.

Anúncios

Um comentário

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s