Defeitos: Qual é sua utilidade?

Quando se joga rpg, muitos jogadores preferem fazer personagens mais fortes, máquinas de matar ou simplesmente aventureiros perfeitos, mas venho aqui tentar provar o poder do defeito em um personagem de rpg, e prometo que até o fim da matéria, você irá olhar para este assunto com uma nova visão.

Então a pergunta que fica é: Defeitos, qual é sua utilidade?

Personagens sem defeitos

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O destemido grupo sem defeitos

Jogar com personagens perfeitos é incrível, você se sente imbatível e nada pode te parar, mas depois de um tempo você percebe que talvez as coisas não estejam sendo tão legais quanto você esperava, pois nada passa a ser um desafio grande demais para seu herói, aqui cabe ao mestre ter que criar as aventuras ao redor desses personagens de maneira a ainda assim conseguir trazer dificuldades e esforço para a mesa.

Então aqui eu sugiro a aceitação de defeitos em personagens, eu costumo jogar tormenta com jogadores que tentam combar ao máximo cada personagem, mas tudo fica mais divertido quando alguém tem uma falha no personagem, o defeito pode ser uma característica da personalidade, uma desvantagem, um dado baixo em um atributo, qualquer coisa que possa descer o aventureiro do patamar de herói imbatível.

Alguns mestres discordam, acham que as aventuras, assim como os personagens, tem que ser totalmente épicos, afinal de contas ali é o momento deles brilharem, são eles que salvarão o mundo, e eu não discordo, apenas apresento outras possibilidades para a mesa.

Profundidade

O primeiro motivo que eu trago para se debater a utilização de defeitos é a profundidade de um personagem, muitos jogadores não vem a hora de sair matando goblins ou dragões e nem ao menos constroem a ficha inteira, esquecendo coisas como aparência, personalidade, história, etc… E isso faz com que seus personagens sejam extremamente rasos, são mais um órfão em busca de vingança, maior clichê impossível. Já joguei com mesas onde todos os jogadores eram órfãos e buscavam vingança, eu consigo ver maneiras de contornar isso e transformar em uma aventura interessante, mas sei que nem todo mestre vê essas possibilidades instantaneamente.

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Órfãos, futuros aventureiros

Personagens profundos dão uma abertura para o mestre explorar seus passados, construir seus futuros e definir seus papéis na sociedade. Uma das coisas mais comuns que eu vejo em mesas onde os personagens são rasos é uma falta de motivação ou objetivo para os personagens, eles simplesmente vão cumprindo as missões porque sim, não existe motivo por trás para serem aventureiros ou estarem fazendo aquilo, eles simplesmente existem e seguem ordens.

Imersão

Diretamente relacionado à profundidade temos a imersão. Um ambiente de jogo imersivo, sem off topic e coisas do tipo é o sonho de qualquer mestre, poder seguir uma campanha até o fim com jogadores que conhecem seus personagens, os interpretam com maestria e constroem uma história juntos do início ao fim é simplesmente o objetivo de todo mestre.

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A conveniente família de gêmeos que surgem do nada

Ambientes imersivos ampliam as sensações, dão asas para a imaginação e tornam a experiência do rpg sublime, o auge do rpg é esse. Mas para tal, precisamos voltar a necessidade de profundidade e consequentemente defeitos, jogar em uma mesa onde todos os personagens são descartáveis é sem sentido. Jogadores que não ligam para seus personagens e cada vez que um morre eles simplesmente mudam duas letras do nome e dizem que é o irmão gêmeo, isso é um corta clima gigantesco para a mesa e principalmente para o mestre.

Diversão

Quando conseguimos alcançar um ambiente imersivo, a diversão proporcionada pelo rpg é multiplicada, esse é o real objetivo do rpg, interpretar papéis, viver aventuras em outras peles e desbravar uma vida diferente da sua. E não, não é matar e lootear, você pode gostar mais disso, mas não é o objetivo primário do rpg.

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O problema não é ser órfão, mas sim não conseguir acrescentar nada com isso

A diversão sempre vai ser um dos fatores mais importantes na hora de jogar rpg, portanto, experiências que amplificam a diversão devem ser consideradas e experimentadas, nem todo jogador ou mestre gosta das mesmas mecânicas ou age do mesmo jeito, mas acredito que buscar uma maior imersão e consequentemente diversão deveria ser o objetivo de todos.

 

Para mais dicas para o seu rpg, siga o blog e fique por dentro de tudo que lançarmos!

Links

O relato de um mestre de rpg novato

Papo Reto – Improvisar nem sempre é encher linguiças

Ação, aventura e outros gêneros na sua mesa de rpg

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