Marca do Herói – Combatendo a Síndrome de Adam Sandler

Olá, eu sou o Desordem e terei uma pequena coluna sobre como montar personagens interessantes aqui na Toca. A ideia surgiu quando, jogando com o amigo Bodão e o nosso grupo de sempre da faculdade, vimos que a turma podia jogar com classes e até em sistemas diferentes, mas seus personagens eram sempre iguais em personalidade. Não me entendam mal, cada um joga como se divertir mais, mas isso gerou alguma inquietação entre nós, como o bolão pra saber quando certo jogador vai contra todo o grupo porque, como sempre, não confia em ninguém. Ou como outro deles vai tentar mudar o próprio background(quase sempre sem nenhuma informação) para se adequar a algo na campanha. Neste primeiro texto, gostaria de abordar como meus personagens foram mudados pelos primeiros personagens únicos que vi na minha vida.

Uma das minhas maiores dificuldades, principalmente quando eu comecei a jogar, era como dar personalidade aos meus personagens. Eu sofria do que eu apelidei anos depois de ‘Síndrome de Adam Sandler’. Em todas as poucas mesas em que havia jogado, os meus personagens eram relativamente iguais: o cara zoeiro que na hora da luta mudava pra ser o cara mais agressivo do mundo, sendo com magias ou combate físico, e com comentários sarcásticos sempre que acertava alguém, do mesmo jeito que a maioria dos personagens de Adam Sandler são ‘um cara legal mas bobo que se apaixona por uma garota e fica com ela no final’. Devo ter jogado umas cinco ou seis mesas de meses assim e tudo era bem legal. Até eu jogar em uma mesa com várias pessoas mais experientes. A ideia deste texto é mostrar como os personagens de alguns colegas me marcaram e me fizeram fugir da Síndrome de Adam Sandler, e servir de introdução para nossa coluna de montagem de personalidades de personagens.

Era uma mesa nova de D&D 3.5, a famosa, aquela dos combeiros. Como haviam dois iniciantes na mesa, o mestre pediu que usássemos apenas as raças e classes do livro do jogador, pra que eu e o outro iniciante não tivéssemos que ler tanta coisa. Eu era um ladino halfling chamado Pirambu e novamente lá estava eu: piadinhas fora de combate, flanco, furtivo e comentários sarcásticos(Ardeu, foi?). Ai eu vejo os personagens dos outros jogadores. Um guerreiro extremamente agressivo. Um mago ilusionista. Um bardo louco que tocava castanholas. Um bárbaro bombado com uma espada maior do que meu personagem. E um clérigo que não sabia o que clérigos faziam, que também era iniciante, como eu. Uma party até bem balanceada mecanicamente, mas o que eu gostaria de abordar aqui não são as classes, e sim como os jogadores mais experientes interpretavam os seus personagens e como aquilo mudou pra sempre todos os meus personagens.


Dois machados e muito ódio no coração

O primeiro que me chamou atenção foi o guerreiro. Sempre que uma batalha terminava, ele mutilava um inimigo e o colocava em algum lugar próximo à batalha, como uma árvore. Eu me perguntava ‘pra que isso?’, e uma hora eu perguntei a ele, dentro da sessão. O Personagem me respondeu que era um aviso a todos que tentassem algo contra ele. Veja, era ‘um guerreiro extremamente agressivo’, como dito anteriormente, e tudo naquele personagem denotava força, não só o combate.

O segundo foi o Bardo. Eu já o conhecia há tempos e sabia que ele gostava de fazer personagens engraçados, ainda mais quando jogava de Bardo. A primeira coisa era que ele tocava castanholas. Que tipo de bardo tocava CASTANHOLAS, meu Pelor? O personagem ficava cada vez mais louco a medida que jogávamos. Sempre que lutávamos contra alguém, ele fazia questão de roubar uma bota dos inimigos. UMA. ÚNICA. BOTA. Que espécie de doença esse cara tinha?

Já o terceiro foi o personagem que mais me marcou até hoje em uma mesa em que joguei e que não era meu, o Bárbaro. Era um bárbaro como qualquer outro, grande, forte e com pouco pontos em atributos mentais, mas ele tinha duas diferenças: a primeira era que ele tinha uma cabeça de leão. A segunda é que ele sabia ler. E a segunda foi a que mais me chamou atenção, mesmo com todo o resto limitado à humanos elfos e halflings. Ai você pode me dizer “Poxa, Desordem, grande coisa ele saber ler. É só comprar a perícia”, mas é ai que você se engana. O cara fez com que o bárbaro dele carregasse por ai um caderninho e sempre que alguém falava alguma palavra nova, ele anotava ela e o significado no caderninho. O que mais me chamou atenção foi que o cara “gastou ponto” em uma perícia que era totalmente inútil para ele apenas pra interpretar o personagem melhor.

Jogar com esses três personagens na mesma mesa mudou qualquer um dos meus personagens para sempre. A gente não deve ter jogado mais do que 3 sessões, mas estes traços de personalidade me fazem pensar sempre melhor quando vou montar algo novo até hoje. Veja, pros outros jogadores pode ser que eles nem lembrem destas fichas, mas pra mim eles foram marcantes, únicos. Agora eu tento sempre fazer com que qualquer um que jogue comigo tenha a mesma sensação, para tentar enriquecer o lado Role Play dos Games em que participo. Nos próximos textos, vou mostrar como eu monto meus PJs, PNJs e depois iremos montar vários conceitos de personalidades utilizando algumas das técnicas que serão mostradas.

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