Desvendando a Bandeira do Elefante

E ae galerinha estamos chegando com mais uma entrevista e dessa vez nosso convidado mais que especial é o Christopher Kastensmidt, criador da novela e do livro A Bandeira do Elefante e da Arara.

Toca – Quando e como surgiu a ideia de criar A Bandeira do Elefante e da Arara?

Christopher Kastensmidt – As sementes foram plantadas ainda nos anos 90, nas minhas primeiras visitas ao Brasil. Comecei a aprender português através de livros e música, principalmente, e uma das coisas que peguei logo no começo foram livros de história. O próximo passo aconteceu em 2001, quando mudei-me de forma definitiva para o Brasil para entrar numa pequena empresa de games, Um dos nossos projetos (nunca publicado) foi um jogo na Amazônia, e estudei o folclore nacional como elemento fantástico.
As histórias em si nasceram no final de 2006, quando bateu o desejo de escrever uma fantasia histórica ambientada no Brasil. Com base nas minhas leituras anteriores, escolhi o século XVI como ambientação básica, uma época de baixa tecnologia e muita convergência cultural, e acrescentei elementos do folclore nacional para fechar como fantasia. Escrevi a primeira história em 2007 e outras nos anos seguinte.

Toca – Quais os entraves que você teve no início?

Christopher Kastensmidt – Demorei uns 3 anos para publicar o primeiro conto, que saiu nos Estados Unidos em 2010. O mercado editorial é muito devagar. Devido ao sucesso daquela primeira história (que chegou a concorrer prêmios importantes), consegui publicar vários contos em vários idiomas, e comecei também um projeto de um livro em quadrinhos, que levou outros quatro anos a sair, no final de 2014. Aquele foi o primeiro produto a levar o nome “A Bandeira do Elefante e da Arara”. Só depois de 2015 que as coisas começaram a acelerar, com o lançamento dos contos em formato digital nos EUA e um ano depois, na China e na Espanha. O romance em 2016 (publicado pela Devir) foi um sucesso ainda maior. Pode ver que foram 9 anos (2006 a 2015) de puro investimento na minha parte antes de começar a alcançar uma audiência maior. Tem que acreditar MESMO no projeto!
O verdadeiro crescimento começou a partir do lançamento do RPG. Foi um projeto que quis realizar desde os primórdios da série, comecei a fazer anotações neste sentido em 2008, mas só consegui tornar-se este sonho uma realidade no final de 2017, com apoio da Lei de Incentivo à Cultura e o Banco de Lage Landen.

Toca – Como você vê o crescimento e a recepção da ABEA?

Christopher Kastensmidt – É uma coisa incrível. Dois anos atrás, poucas pessoas sabiam qualquer coisa sobre o mundo de ABEA, mas hoje em dia, vou em eventos onde todo mundo pelo menos já ouviu falar. Recebo relatos todas as semanas de pessoas jogando em algum lugar. Temos um evento nacional este mês chamado de “Dias de ABEA” com quase 70 mesas cadastradas de 40 municípios diferentes. O sistema lançou há pouco tempo, não consigo acreditar que tenha tanta gente jogando. 

Toca – O que acha de alguns professores utilizarem em sala de aula?

Christopher Kastensmidt – Acho sensacional. Desde o começo, o projeto foi visado para poder ser aplicado como uma ferramenta paradidática. Há várias ferramentas para os professores dentro do próprio livro, e o sistema foi criado para ser simples de aprender e aplicar. Por exemplo, usei apenas dados de seis lados, para ser muito acessível. Em eventos, consigo explicar como jogar em 5 minutos, mesmo para quem nunca jogou RPG. O ambiente nacional também faz o jogo muito mais acessível para as crianças, que muitas vezes não têm noções de Europa medieval, mas conseguem facilmente imaginar enfrentar um Curupira na selva brasileira.
Pela ambientação histórica, normalmente recomendo usar o sistema com crianças de 11 anos para cima, mas pode ser simplificado para trabalhar com crianças menores. Já vi pessoas usando com crianças de 7, 8 anos de idade. 

Toca – O que podemos esperar de novidades? 

Christopher Kastensmidt – Para começar, a comunidade está produzindo muito mais material que eu ultimamente, sempre há novidades. De produtos oficiais, vamos disponibilizar a aventura “O Veneno de Yara’Raka”, de Jan Pieterzoon em formato PDF para o evento “Dias de ABEA” em março e lançaremos ainda este ano em formato impresso “A Maldição de Ipaúna”, de Luciano Paulo Giehl. Há planos para outros produtos, mas ainda não sei qual vai ser o próximo a lançar.

Toca – Como se deu a ideia de criar o dia da ABEA? Pode explicar mais sobre o evento?

Christopher Kastensmidt – A ideia veio de eventos similares, como Old Dragon Day da Redbox. Mediadores do país inteiro vão jogar nos dias 23 ou 24 de março. Os mediadores que cadastram suas mesas antes do evento para receber a aventura one-shot to Jan. Também, quem publica uma foto do seu grupo jogando dentro de certas regras (explicadas em e-mail para os mediadores cadastrados) pode concorrer uns itens excelentes que temos para sorteio. Qualquer mesa, pública ou privada, pode participar. 
Quem não tem mesa para jogar pode procurar uma mesa na nossa lista de mesas. Até agora, há eventos públicos cadastrados em Brasília, Fortaleza, Caucaia, Serra, Goiânia, Belo Horizonte, Cataguases, Belém, Recife, Curitiba, Londrina, Rio de Janeiro, Gravataí, Porto Alegre, Torres, Aracaju e Santos.

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